Isto já não é uma questão filosófica. É uma questão de negócio, de segurança e de gestão.
O artigo na Science do professor Hany Farid, um dos principais especialistas do mundo na deteção de manipulações digitais, apresenta uma realidade que todos temos de interiorizar: um deepfake já não parece um brinquedo tecnológico. Parece real, soa real, espalha-se rápido e influencia a forma como as pessoas tomam decisões.
E o grande problema não é apenas que as falsificações estão a melhorar. O problema ainda maior é que a confiança está a ser corroída.
Quando um gestor recebe um vídeo. Quando o departamento de HR realiza uma entrevista online. Quando uma empresa é abordada por um investidor, um candidato, um fornecedor ou um parceiro de negócios. Quando um vídeo incriminatório começa a circular na rede. Quando uma voz conhecida pede uma ação urgente.
A primeira pergunta já não pode ser: "Isto parece real?" Porque hoje, muitas coisas falsas parecem completamente reais.
A pergunta certa é: "Como verificamos isto de forma profissional antes de agir?"
O que mais gostei no artigo foi a abordagem investigativa de Farid. Ele não se contenta com uma ferramenta automática que diz "90% falso" ou "70% real". Ele examina a física, o movimento, as sombras, os reflexos, os ângulos, a sincronização entre voz e lábios, a consistência entre fotogramas e o contexto mais amplo.
E é exatamente esse o ponto. Com deepfakes não existe uma única solução mágica. É preciso uma combinação de tecnologia, experiência investigativa, compreensão do comportamento humano, compreensão do terreno digital e a capacidade de fazer as perguntas certas.
No mundo empresarial isto é especialmente crítico. Porque os deepfakes não ameaçam apenas políticos ou celebridades. Ameaçam os processos de recrutamento, as verificações de antecedentes, a confiança entre organizações, a proteção contra fraudes, a identidade digital e a capacidade de entender quem está realmente à nossa frente.
Uma entrevista de emprego online pode ser falsa. Um perfil profissional pode estar bem construído mas não ser autêntico. A voz de um gestor pode ser clonada. Um vídeo pode estar editado. Uma imagem pode ser gerada do zero. Um documento pode parecer autêntico e ser parte de um amplo esquema de engano.
Por isso as organizações não podem ficar na fase do "a mim parece-me real". Precisam de uma capacidade de verificação. Não por pânico. Não por uma desconfiança excessiva. Mas por responsabilidade.
Quem recruta colaboradores para funções sensíveis, avalia parceiros de negócios, verifica identidades, lida com incidentes de fraude ou enfrenta conteúdos suspeitos na rede, tem de acrescentar à sua mesa de trabalho também a capacidade de lidar com deepfakes. Especialmente quando tudo acontece online.
Se está a lidar com uma suspeita de deepfake, uma identidade falsa, uma entrevista suspeita, conteúdo digital problemático ou um incidente em que não é claro o que é real e o que não é, pode contactar-nos.
Temos soluções inovadoras e pioneiras para lidar com deepfakes, inclusive em ambiente online, combinando tecnologia avançada com análise humana profissional.