Nos últimos anos, tenho ouvido cada vez mais organizações de defesa falarem sobre o desejo de trabalhar com empresas pequenas, inovadoras e ágeis. Todos querem inovação. Todos querem soluções criativas. Mas, na realidade, há não poucas empresas que nem sequer conseguem chegar à linha de partida.
Um artigo interessante publicado recentemente no Reino Unido revelou um dos maiores desafios do mundo da defesa: o próprio processo de credenciamento de segurança.
Por um lado, não há discussão quanto à importância das verificações de antecedentes, dos credenciamentos de segurança e da proteção de informações sensíveis. Trata-se de mecanismos essenciais destinados a proteger interesses nacionais, tecnologias sensíveis e cadeias de suprimento críticas.
Por outro lado, quando o processo de obtenção do credenciamento se arrasta por longos meses e, às vezes, mais de um ano, surge uma situação absurda: a empresa não consegue um contrato porque não tem credenciamento, mas também não consegue o credenciamento porque não tem contrato.
Esse dilema não é exclusivo do Reino Unido. Em qualquer lugar onde existam processos de triagem e verificações de idoneidade complexas, o desafio é encontrar o equilíbrio entre segurança e agilidade.
Como alguém que atua há muitos anos na área de verificações de antecedentes e de idoneidade, acredito que o objetivo não é flexibilizar as exigências. Pelo contrário.
O objetivo é criar processos mais inteligentes, mais rápidos e baseados na gestão de riscos.
Nem todo fornecedor representa o mesmo risco. Nem todo funcionário precisa do mesmo nível de verificação. E nem todo processo precisa se arrastar por longos meses.
Quando os riscos são geridos corretamente, é possível ao mesmo tempo manter a segurança e viabilizar a inovação e o crescimento.
O verdadeiro desafio não é fazer mais verificações. O desafio é fazer as verificações certas, no momento certo, e de uma forma que permita à organização avançar em vez de ficar travada.