Enshittification = a degradação extrema de algo até transformá-lo numa versão pior de si mesmo.
Lembro-me de uma época em que o LinkedIn era um lugar muito "limpo". Profissional, calculado, um pouco estéril. Todos escreviam a mesma coisa, todos soavam iguais, e quase não havia ali nada que revelasse de verdade quem era a pessoa por trás do perfil.
E então começou a enshittification.
Mais publicações pessoais. Mais política. Mais opiniões extremas. Mais provocações que ganham exposição porque o algoritmo adora barulho.
Para quem procura uma plataforma puramente profissional, isto parece uma deterioração. E, em grande medida, realmente é.
Mas, do meu ponto de vista, aconteceu aqui algo interessante.
É justamente esse conteúdo "deslocado" que começa a contar a história verdadeira.
Quando verifico alguém no âmbito de uma checagem de antecedentes a partir de fontes de informação abertas, não procuro apenas o que ele faz. Procuro como ele pensa. Como reage. O que o aciona. Onde estão os seus limites.
E essas coisas quase nunca apareciam no antigo LinkedIn.
Hoje estão lá. E em abundância.
Uma publicação política escrita sem filtros, uma resposta agressiva a um debate profissional, a escolha de aderir a uma tendência provocadora, tudo isso já não é "barulho" para mim. São sinais.
O que antes era um deserto árido em termos de compreensão da personalidade tornou-se uma mina de ouro de indicadores comportamentais.
Então sim, o LinkedIn mudou. E talvez não para melhor para quem procura apenas profissionalismo.
Mas para quem entende como ler nas entrelinhas, é uma plataforma que conta muito mais verdade do que antes.