Um dos livros mais perturbadores que lemos recentemente no campo do comportamento organizacional é "Snakes in Suits: When Psychopaths Go to Work" de Paul Babiak e Robert Hare.
O livro trata do tipo de pessoas que a maioria das organizações não sabe realmente como identificar a tempo. Não criminosos violentos. Não personagens extremas de filmes. Mas pessoas carismáticas, impressionantes, perspicazes, com uma capacidade extraordinária de fazer com que os outros acreditem nelas.
É justamente por isso que são perigosas.
Os autores descrevem como um psicopata organizacional consegue integrar-se numa organização, avançar rapidamente, acumular poder e influência, e pelo caminho deixar atrás de si um dano enorme: a desintegração de equipas, a criação de conflitos, manipulações políticas, intimidação de funcionários, prejuízo à confiança, a criação de uma cultura tóxica, e por vezes também fraudes e abuso de autoridade.
O que é particularmente interessante é que o livro explica que o problema não está apenas na pessoa em si. Por vezes a própria organização também contribui para isso sem perceber.
Organizações que sacralizam o carisma, os resultados rápidos, a agressividade, a realização a qualquer preço e a política interna, podem identificar erroneamente o comportamento psicopático como "liderança".
Uma das coisas importantes do livro é a descrição das três fases em que atua um psicopata organizacional.
Na primeira fase ele estuda o sistema: quem é forte, quem é fraco, quem é influente, quem está ameaçado, quem tem acesso ao poder e à informação.
Na segunda fase começa a manipulação: a bajulação, a criação de confiança falsa, a adaptação da personalidade a cada pessoa, mentiras sofisticadas e o prejuízo silencioso aos rivais.
Na terceira fase chega o abandono: quando a pessoa já não é útil, é atirada para o lado. Às vezes também com um prejuízo deliberado à sua reputação.
A parte mais importante para mim é a compreensão de que nem sempre é possível identificar essas pessoas através do carisma ou da primeira impressão. Pelo contrário.
Em muitos casos elas são calmas sob pressão, sabem falar de forma convincente, projetam autoconfiança, sabem "ler as pessoas" e imitam a empatia de forma excelente.
E por isso, no mundo dos Insider Threats, do recrutamento de funcionários e da avaliação de fiabilidade, não se pode confiar apenas na intuição ou num "pressentimento".
É preciso examinar: a consistência comportamental, as lacunas entre palavras e ações, os padrões de manipulação, a atitude perante pessoas sem poder, o histórico de conflitos, e o uso repetido de vítimas, acusações e política.
Este livro é um excelente lembrete de que as ameaças mais perigosas numa organização nem sempre vêm de fora.
Às vezes elas estão sentadas na sala de reuniões.